


Pic-nic de encerramento da disciplina Tempos e Espaços Escolares: atravessando fronteiras (2007/1 - Faced/UFRGS), no Parque da Redenção, Porto Alegre. 13/12/2007
Este texto será como um passeio pelo tempo que passamos em aula, visitando outros espaços e discutindo outros modos de fazer escola e educação.
Nosso semestre inicia vagaroso pois depende da construção coletiva de um cronograma. E a primeira atividade é uma reflexão sobre os diferentes tempos e espaços nas nossas diferentes áreas de conhecimento. Podemos compartilhar e conhecer mais sobre as diversas visões dos colegas e seus conhecimentos. Quando se aprende junto, se aprende muito mais.
O primeiro espaço extra-sala que nos foi apresentado foi o blog. Ele é até hoje nosso meio mais importante de trocas de conhecimentos, dúvidas e experiências. Esse espaço deteve muito do nosso tempo. Um tempo que utilizamos para nos familiarizarmos com a tecnologia que nos era mostrada. Um espaço virtual, tão cheio de idéias e sentimentos... repleto de convites que nos levaram a conhecer os diferentes lugares onde podemos dispor de ensino e aprendizagem.
A próxima atividade nos mostrou um espaço diferente, muitas vezes distante, que pode tornar-se mais próximo: a Bienal. Nessa atividade a importância do preparo prévio a uma visita, seja ela onde for, mostrou novamente o seu valor. Com um “passeio” bem preparado e orientado conseguimos apreciar e compreender melhor o que víamos.
Logo iniciaram as oficinas. A cada uma que acontecia aprendíamos um pouco mais sobre os nossos colegas e também sobre os seus conhecimentos. Química, biologia, filosofia, mídia, teatro, educação física, música. O tempo passa e o espaço só cresce. Tivemos a oportunidade de nos entregarmos aos colegas ficando “cegos”. Conhecemos as diferentes químicas que acontecem quando o trabalho em grupo é necessário. Trocamos de lugar sem cair num mar cheio de tubarões. Aprendemos uns com os outros que mesmo o espaço simples da sala de aula pode se transformar em um lugar lúdico cheio de conteúdos cognitivos importantes para o nosso desenvolvimento. Descobrimos que todos os espaços são passiveis de aprendizado desde que se tenha um pouquinho de tempo para que se dedique a esses espaços um olhar que não seja apenas escolar, mas um olhar que seja de aventura, curiosidade. Somente assim poderemos atrair a atenção dos nossos alunos seja pra uma aula de teatro, de alfabetização, de biologia ou de educação física.
Ainda pensando no tempo passeamos por eras antigas e, do cambriano ao atual, conhecemos dinossauros, fósseis, grandes pensadores, filósofos, cientistas e engenhos. Revisitamos nosso passado comum e relembramos um mundo achatado que hoje demora para deixar de ser quadrado. Quadrado em seus pensamentos egoístas, quadrado na sua miséria e riqueza, quadrado nas suas guerras e devastações. Só nos damos conta de que somos gente que faz parte de um todo chamado Terra quando conseguimos contemplá-la como um todo. Com essa visita, não sei se fui só eu, mas fiquei mais um pouco consciente do nosso pequenino tamanho e da nossa imensa importância em preservar um planeta cuja natureza insiste em sobreviver a tantos maus tratos. Cada imagem me tornava mais consciente do tamanho do meu papel de educadora frente a tantos desafios eminentes na sala de aula. Sou responsável por cada pensamento que ajudo a construir em meus alunos. Somos responsáveis pelo nosso planeta.
Compartilhamos outros tempos e espaços, outros modos de ver e ouvir. Nunca me serviu tão bem o título da pesquisa da professora Clarice, compartilhamos “outros modos de olhar, outras palavras para ver e dizer, diferentes modos de ensinar e aprender: exercitando a docência na contemporaneidade.”. Nossas aulas enriqueceram minhas teorias, fortaleceram as minhas práticas e me ensinaram que diferentes áreas aprendem de maneiras diferentes, mas todas podem aprender juntas.
Coube a mim buscar algo sobre “O programa científico da Revolução Industrial”. Confesso que ao receber o tema não me entusiasmei muito. Pareceu algo bem chato. Mas depois, buscando informações passou a parecer até interessante.
Não encontrei nada com a denominação “programa científico”, por isso comento de modo breve e simples alguns pontos chaves da revolução industrial e, no final, falo um pouquinho sobre o lugar da ciência nesse período.
As informações encontradas abaixo são fruto de uma pesquisa na internet, de lembranças minhas (do tempo de colégio) e de alguma ou outra conversa breve com amigos.
A Revolução Industrial, como o próprio nome já indica, foi um período no qual ocorreram transformações extremamente importantes na vida humana. A primeira idéia que me vem à mente quando penso no nome “revolução industrial” é aquela lembrança do surgimento da máquina a vapor.
Dessa lembrança podemos partir para uma idéia geral sobre esse momento histórico: a saída de um período marcado pelo trabalho artesanal para um novo, o da indústria, da produção em série e em larga escala.
O homem que antes ganhava pelo produto por ele criado e vendido passa a vender o próprio trabalho. Cresce a indústria mecanizada e com ela os campos são abandonados, o lugar do novo é a cidade onde se concentra a grande possibilidade de trabalho: a fábrica. Com o trabalho novo vem também horas e horas exaustivas gastas em trabalhos repetitivos que objetivavam o crescimento econômico das nações. As altas exigências sobre os trabalhadores gerarão, posteriormente, revoltas.
Nesse novo cenário, a ciência tem um lugar privilegiado. É através dela que vem o progresso. O desenvolvimento tecnológico é visto neste período como algo prático, capaz de ser aplicado em prol do crescimento.
O caráter de aplicação prática da ciência faz com que o cientista transforme-se
Através do uso da energia agora em forma mecânica criam-se as máquinas a vapor, desenvolvem-se os transportes aquático e ferroviário, surgem o telégrafo (que permite a comunicação a distância), o pára-raios, a pilha, a lâmpada elétrica, entre outros tantos inventos capazes de revolucionar a vida.
E assim temos o surgimento de um homem novo, aquele que acredita ser capaz de dominar a natureza. Sendo assim já não havia mais lugar para a religião, e a ciência (e também o método empírico) são as grandes estrelas do momento.
A teoria da Tectônica de placas - que revolucionou as geociências assim como a teoria da origem das espécies modificou as Biociências e as teorias da Relatividade e da Gravitação universal mudaram os conceitos de física - nasceu quando surgiram os primeiros mapas das linhas das costas atlânticas da América do Sul e da África. Em 1620, Francis Bacon, filósofo inglês, apontou o perfeito encaixe entre essas duas costas e levantou a hipótese, pela primeira vez historicamente registrada, de que estes continentes estiveram unidos no passado. Nos séculos que se seguiram, esta idéia foi diversas vezes retomada, porém raramente com argumentação científica que lhe desse suporte teórico.
A origem da tectônica de placas ocorreu no início do século XX com as idéias visionárias do cientista alemão Alfred Wegener, que se dedicou a estudos metereológicos, astrônomos, geofísicos e paleontológicos principalmente. Wegener passou grandes períodos de sua vida nas regiões geladas da Groenlândia fazendo observações metereológicas e misturando atividades de pesquisa com aventuras. Entretanto sua verdadeira paixão era a comprovação da uma idéia, baseada na observação de um mapa-mundi nos quais as linhas de costa atlântica atuais da América do Sul e África se encaixaram como um grande quebra-cabeça, em que todos os continentes poderiam se aglutinar. Para explicar estas coincidências, Wegener imaginou que os continentes poderiam, um dia, terem estado unidos e posteriormente terem sido separados. Ele chamou o supercontinente de Pangea (Pan significa todos e Gea Terra) que iniciou sua separação a cerca de 220 milhões de anos em dois continentes chamados de Laurásia e Gondwana. Mas como ele chegou a essas conclusões?
Quando esteve na Groenlândia ele mediu o ângulo de incidência de um mesmo ponto com o sol e descobri que a cada ano que fazia essa marcação o ângulo se alterava, ou seja, algo estava se mexendo! Mas existia uma evidência biológica muito mais valiosa para conseguir chegar a essa conclusão, afinal muitos outros fatores poderiam estar influenciando os ângulos de incidência. Mas que evidência seria essa? Foram encontrados fósseis de Glossopteris (tipo de gimnosperma primitiva) em regiões da África e Brasil, cuja ocorrência se correlacionava perfeitamente, ao se juntarem os continentes. Outros fósseis também foram encontrados em regiões diversas do Brasil, em especial no Rio Grande do Sul foi encontrado um grande mamífero que também foi encontrado no Sul da China! Como estas árvores e animais teriam conseguido atravessar o oceano atlântico? Seria possível ir a nado, ou dispersão de sementes a milhares de quilômetros? Ele também trouxe outra evidência muito relevante, a glaciação de regiões do Sul e Sudeste do Brasil, Sul da África, Índia, Oeste da Austrália e Antártica, sugerindo que essas porções da terra estariam cobertas por camadas de gelo, portanto estariam submetidos ao clima polar, ou seja, todas essas extensões estariam no pólo sul. Como exemplo, no Rio Grande do Sul não existe registros fósseis de anfíbios e répteis, porque na explosão populacional evolutiva desses organismos (Devoniano e Carbonífero) ele estava localizado muito próximo pólo Sul.
Em 1915, Wegener reuniu todas as evidências que encontrou para justificar a teoria da Deriva Continental, o que para ele já seriam provas convincentes, em um livro denominado A origem dos Continentes e Oceanos. Entretanto ele não conseguiu responder a questões fundamentais, como por exemplo: que forças seriam capazes de mover os imensos blocos continentais? Como uma crosta rígida como a continental deslizaria sobre uma outra crosta rígida como a ocêanica, sem que fossem quebradas pelo atrito? Infelizmente naquela época as propriedades plásticas da astenosfera (camada abaixo da litosfera ou crosta terrestre, que não apresenta solidez pelo calor do núcleo da terra) não eram ainda conhecidas, o que o impediu de explicar sua teoria. Após sua morte em 1930, passou quase vinte anos esquecidas suas idéias, pelo não acontecimento da construção de uma explicação lógica e aceitável.
Após a segunda guerra mundial, com grande avanço de sonares por razão das batalhas marinhas em todos os oceanos contra os submarinos, se tinha instrumentos para conseguir mapear o fundo dos oceanos. Acreditava-se que o fundo do mar nada mais era, que planaltos e planícies monótonas. Porém, descobriu-se que existiam grandes fossas e trincheiras, havendo grande amplitude e diferentes formas estruturais da crosta oceânica. A cartografia da cadeia Meso-Oceânica realizada pelas universidades de Columbia e Princeton (EUA) mostrou a existência de uma cadeia de montanhas submarina no Oceano Atlântico. Essa cadeia emerge na região da Islândia, e apresentam
No final dos anos 50 foram feitos aperfeiçoamentos da geocronologia (estudo da idade das rochas) que constatou algo diferente do que se pensava. Acreditava-se que as rochas no fundo dos oceanos seriam muito antigas, porém viu-se que, existiam rochas muito jovens com menos de 20 milhões de anos nas cadeias submarinas. As rochas mais próximas das cadeias são muito jovens e as mais próximas dos continentes são mais antigas. Mas como isso seria possível? Outros pesquisadores descobriram anomalias positivas e negativas nos campos magnéticos e constataram que isso acontecia pela extrusão de lava no fundo do oceano. Em palavras mais simples, os campos se alternam pela saída de lava do manto, ou seja, pela expansão e de aumento da massa nas regiões onde a lava saiu. Com esses dados Harry Hess na década de 60, propôs que o material magmático ao entrar em contato com a superfície, se movimentaria lateralmente e o fundo oceânico se afastaria dorsalmente. A fenda existente na crista dorsal não continua a crescer porque o espaço deixado pelo material que saiu para formar a nova crosta oceânica é preenchido por nova lava, que, ao se solidificarem, formam um novo fundo oceânico. A continuidade desse processo produziria, portanto, a expansão do assoalho oceânico. A deriva continental e a expansão do fundo dos oceanos seriam assim uma conseqüência das correntes de convecção.
Assim, em função da expansão do fundo oceânico os continentes viajariam como passageiros fixos em placas como se estivessem em esteiras rolantes. Com a continuidade do processo de geração de crosta oceânica, em algum outro local deveria haver um consumo ou destruição desta crosta, caso contrário a Terra expandiria. A destruição da crosta oceânica mais antiga ocorreria nas chamadas zonas de subducção, que seriam locais onde a crosta oceânica mais densa mergulharia para o interior da Terra até atingir condições de pressão e temperaturas suficientes para sofrer fusão e ser incorporada novamente ao manto.
http://www.youtube.com/watch?v=QXzjSZ1qapI
Falta ainda as imagens e filmes. Em breve...
Na última quinta, nosso grupo trabalhou com vocês uma oficina sobre leitura. Logo abaixo colocamos indicações de leitura na internet que tratam dos temas leitura e letramento.
Dêem uma olhada! São textos interessantes.
"LETRAR É MAIS QUE ALFABETIZAR" - Entrevista com Magda Becker Soares.
http://intervox.nce.ufrj.br/
"A importância do ato de ler" – Texto de Paulo Freire
http://extralibris.info/artigo
“O ato de ler e escrever deve começar a partir de uma compreensão muito abrangente do ato de ler o mundo, coisa que os seres humanos fazem antes de ler a palavra.
Até mesmo historicamente, os seres humanos primeiro mudaram o mundo, depois revelaram o mundo e a seguir escreveram as palavras.”
Paulo Freire