terça-feira, 29 de março de 2011

Tempo e Espaços para Educação em Arte

A reflexão sobre tempo e espaço são algumas das matérias primas das artes visuais. Nesse território, essas grandezas confundem-se, um tempo pode ser um lugar e um lugar, um tempo. Como por exemplo as obras sensoriais do artista brasileiro Helio Oiticica, em que o espectador experimenta, juntamente com o espaço proposto, um tempo diferenciado em relação ao tempo do seu cotidiano.


Éden, Helio Oiticica, 1969

Gaston Bachelard, em sua "Poética do Espaço", explora a relação dos espaços na construção da subjetividade do indivíduo e no desenvolvimento de seu processo criativo. A casa, o ninho, o canto, entre outros, são algumas representações simbólicas do que estes espaços contribuem para a formação do imaginário desse indivíduo. Um espaço construído ou aproveitado, em que se leve em consideração seus atributos simbólicos, cria um tempo para a reflexão, o devaneio a criação artística e/ou a produção de conhecimento.

O espaço educacional ocidental tradicional é pensado da mesma forma há centenas de anos, sendo apenas em alguns momentos questionado (como no caso do projeto Summerhill, por exemplo)
. Nesse sentido constituiu-se um espaço e um tempo para o aprendizado em um formato que privilegia a imobilidade, a austeridade e a hierarquia entre professor e alunos. Está claro que para a reflexão sobre arte este formato é insuficiente, já que não abarca as diversas possibilidades de exploração da subjetividade do aluno que um aprendizado deste tipo requer, sendo necessária uma reflexão sobre esse modelo ultrapassado de produção de conhecimento.

Um comentário:

Luciana disse...

Muito legal a relação que fazes entre Oiticica, Bachelard e oe spaço educacional. Quais as possibilidades de pensarmos em outras poéticas do espaço escolar?