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quarta-feira, 7 de abril de 2010

Armadilha para professores


Durante a ida ao museu, percebi um ponto , que creio ser um armadilha à que todos estamos sujeitos (em especial nos cursos que se dizem mais cientificos). Falamos e cremos muito no que é “cientificamente comprovado”, mas muitas vezes acabamos nos fechando para tudo que é diferente daquilo em que acreditamos.

No terceiro semestre de formação em biologia ouvi duas perguntas muito bem colocadas feitas para uma turma de 50 alunos, a primeira foi : “Quem de vocês acredita na evolução?” (50 braços se ergueram imediatamente), a segunda foi: “quantos de vocês já leram a Origem das Espécies?” (nenhum braço se ergueu). Me pergunto no que realmente se baseiam as nossas convicções. A bagagem teórica que precisamos ter para ir a favor de algo é (ou ao menos deveria ser) tão grande quando a que deveríamos ter para ir contra esse mesmo algo.

Foi feita uma pergunta durante a exposição que me fez pensar: Alguém sabe o que é o criacionismo?”. Será que algum de nós está mesmo apto a responder a esta pergunta? Creio que a maioria de nós e da comunidade cientifica cairíamos na mesma armadilha, responderia convictos e tão cheios de si, como portadores de verdade quanto uma criança ao ser perguntada sobre quem são Michelangelo, Donatelo, Leonardo e Rafael.

Enquanto não abrirmos nossas mentes e nos dispormos a aprender uns com os outros ao invés de nos exaltarmos como donos da verdade, continuaremos aprendendo sobre a vida das Tartarugas Ninjas, sem nunca aprender nada com o renascentismo.

Em 1912 Alfred Weneger descobriu que os continentes migram, fantástico não é? Se pararmos para ler mitologia grega ou algum livro religioso (não me detendo a bíblia), ouviremos idéias semelhantes serem propostas a milênios antes (se não me engano a regra é que a publicação mais antiga que conta não é???). Não quero de forma alguma tirar o crédito de Weneger, o que quero é deixar claro que orgulho só atrapalha o aprendizado. O que eu quero expor é que se não pararmos para ouvir e aprender até com um criacionista, nunca conseguiremos aprender com um aluno, nunca reconheceremos que muitas vezes estamos sim errados, e os alunos estão certos sim. Apoiar ou criticar sem conhecer o objeto de estudo é uma grande armadilha.

Precisamos entender que qualquer um que busque conhecimento vai alcança-lo, negar isso é o cumulo da ignorância, e nos condenará inevitavelmente a sermos os primeiros a acender as tochas para queimar o próximo Galileu.