terça-feira, 1 de setembro de 2009

Os tempos e espaços destinados ao teatro na escola

O texto que escolhi para postar aqui é um trecho do artigo "Multiplicidades da cena contemporânea e suas implicações no ensino e na pesquisa com teatro", do Prof. Dr. João Pedro Alcântara Gil, professor e atual chefe do Departamento de Arte Dramática da UFRGS.

Escolhi este trecho do artigo porque fala sobre como a prática de teatro é usada para auxiliar o desenvolvimento de conteúdos de outras disciplinas do currículo escolar. Provavelmente, todos nós fizemos alguma atividade teatral na escola comandada/sugerida pelo(a) professor(a) de história, litaratura, religião... Nas escolas em que estudei não havia aulas de teatro. Nas aulas de artes - ou "Educação artística", como preferirem chamar - geralmente trabalhávamos com técnicas de desenho e artesanato em geral. As poucas atividades relacionadas com teatro eram desenvolvidas pelos professores de outras disciplinas como método para trabalhar o conteúdo de forma mais divertida e dinâmica.

Acho, sim, muito válida esta prática, mas me pergunto o quanto o teatro - como arte propriamente dita - não poderia ser trabalhado dentro do tempo e espaço destinados às artes visuais.

Convido-os, então, a acompanhar o texto que eu trouxe e compartilhar desta reflexão comigo.Obviamente, quaisquer outros questionamentos e reflexões serão muitíssimo bem-vindos.

"(...) Não é difícil entender a lógica tecnicista. A reprodução dos valores e concepções dominantes na época tornaram o produtivismo e a eficiência a curto prazo como normas para a sociedade. Os meios para atingir estas metas eram priorizados em detrimento da qualidade na formação dos professores. Por sua vez, considerando que o desenvolvimento é previamente planejado, o tecnicismo também se aplicou ao teatro para desenvolver técnicas de ensino eficientes e produtivas. Importa aqui resolver as dificuldades de aprendizagem como se a arte fosse um remédio. Neste sentido um bom número de trabalhos é publicado na perspectiva de solucionar problemas, especialmente de alfabetização, sem possibilidades para a reflexão. A pedagogia tecnicista na arte buscou atender à divisão social do trabalho, através da criação de cursos rápidos de formação. O teatro “servia” nesta tendência como facilitador dos processos de aprendizagem e aglutinador das diferentes modalidades artísticas. A ênfase dada aos meios e não aos fins, a quantidade e não a qualidade impõe uma prática artística e pedagógica centrada não em si mesmo, mas no conhecimento alheio. Para tanto o teatro é muito útil, na medida em facilita a aprendizagem de forma mais prazerosa. Para os autores desta corrente o teatro é um meio natural de estudo. A representação de fatos históricos é exemplar para caraterizar o teatro como forma de instruir, divertindo. O método dramático para “transmitir” conteúdos é divulgado na disciplina Didática como “dramatizações”, técnica de ensino eficiente para a aprendizagem. A arte enquanto obra, isto é, um objeto fabricado, um produto, tal como uma escultura, uma música, uma peça de teatro ou mesmo enquanto processo social que envolve múltiplas determinações, não é necessária. O que importa é a sua utilidade, como instrumento de outras práticas educativas. O fim utilitário das artes se encontra no artesanato, no folclore, na encenação de peças para a higiene bucal. Quer dizer, não havia distinção entre cultura e arte. Enfim, a arte, como Weber6 assinala, é tida como salvação da cultura num mundo em decadência, não importa como isto possa ser interpretado. A ascenção da indústria cultural marca um processo de subordinação crescente da produção artística ao processo de produção capitalista.

Nossas licenciaturas em artes foram se adaptando ao tecnicismo com o tempo. No caso da Arte Dramática, até 2005 o curso era de Educação Artística com habilitação em Artes Cênicas. Duas polivalências ao mesmo tempo. Da própria educação artística e também das artes cênicas, que reúne desde o circo até a dança, passando por shows e variedades. A confusão nesta área continua grande. Para se ter uma idéia, a Escola de Educação Física da UFRGS foi quem abriu recentemente o Curso de Licenciatura em Dança. Mas aí é outra discussão.

Com a decretação da Lei de Diretrizes e Bases 9394/96 (art. 26, segundo parágrafo), e, em seguida, a elaboração dos Parâmetros Curriculares Nacionais, em 1997/98, surge o ensino das artes em suas diversas modalidades. O que mudou este tempo todo? Quais os reflexos da Educação Artística na criação e na pedagogia das artes? Como o teatro repercute esta transformações no ensino e na pesquisa? (...)"

6“Proporciona uma salvação das rotinas da vida cotidiana e especialmente das crescentes pressões do racionalismo teórico e prático” (WEBER, 1971:391)

Desejos e Possibilidades

Como eu queria um teletransporte como o da Enterprise!...
...E possuir alguns clones meus para poder estar em vários lugares ao mesmo tempo.
Não estou nem pedindo a máquina do tempo: poder viajar para frente ou para trás por diferentes espaços temporais.

Penso a Educação (seja em arte, química ou educação física) como sendo esse teletransporte, essa máquina do tempo.
Poder conhecer, pensar - e, sobretudo, viver - outras possibilidades.
Questionar o que somos (ou quem somos, se você preferir. No caso, quem no plural) e transgredir a linha que limita o nosso claustro.
Sair do lugar comum e nos apropriar de todos os espaços que nos são oferecidos (sejam estes temporais, físicos ou metafísicos...). E lutar pelos outros espaços que desejamos.

Meus espaços são agora. (ou seria o tempo agora e o espaço este???)

Quem disse que todos tem que sentar e aprender na mesma hora e local?

Na minha mais recente experiência em sala de aula com psicopedagoga institucional, entretando embuida pelos alunos da escola do papel de professora, pude experimentar, mais intimamente o que conhecia muito, antes, princialmente pelo discurso de colegas tanto de Psicopedagogia commo de Licenciatura. A pergunta que dá título a este texto me seguiu, nortiou, orientou e desnortou muitas vezes no ano passado quando assumi a desfiadora tarefa de trabalhar com todas as turmas da escola, numa tentativa de um real atendimento institucional. Realmente a proposta funcionou com alguns e com outros nem tanto, mas pude ver que realmente cada um tem seu tempo e espaço aprendizagem - omito o "de" de propósito entre as palavras tempo e espaço da palavra aprendizagem, por compreender que não só instãncias onde a aprendizagem se dá, mas são aprendizagens também, seguindo o meu arcabolço teórico e por minhas observações.

A intensa experiência que vivi em seis meses aproximadamente, considerando as particularidades do espaçotempo escolar, me levou a entender melhor que, para auxiliar orientar as pessoas na caminhada educacional formalmente reconhecida, é preciso conseguir se orientar e auxiliar em auto atendimento, de ourtos e dos próprios sujeitos a quem se pretende auxiliar. Complicado isso não? mas tenho certeza de que os colegas que lerem isso e tem a experiência de sala de aula vão entender o que tento expressar aqui.

A sala de aula, não ignorando os outros espaços escolares que aqui estarão doravante incluídos no conceito "sala de aula", mostra ilustradamente que cada um tem seu tempoespaço aprendizagens; eu naturalmente pretendi dar mais atenção a quem mais precisava, como um médico eu fui ao encontro dos que apresentavam maior emergência, mas não foi o suficiente, para vínculos resistentes e eficientes, para gerar o resultado que a escola esperava do grupo, para que eles se dessem conta do que realmente azíamos e construímos nos nosso encontros.

Infinitas vezes chamada de professora, mesmo não estando lá para atuar como tal, acabei percebendo as dificuldades daqueles aprendentes, ví muitas inteligências, mas muitas dificuldades em demostrálas, pessoinhas com muito racicínio lógico e ainda sem a noção de número bem constituída, diferenças trabalhando contra a aprendizagem, quando podiam promovê-la, e aí a falta de um trabalho einterdisciplinar, até multidisciplinar que fosse, entre a equipe docente para dar conta dessa necessidade encontrada em todas as turmas. Me pergunto se progetarmos suas tragetórias escolares dali pra frente, que estudantes receberam as turmas do ensino fundamental que se seguem? e como nós professores de disciplinas variadas os receberemos? temos em vista este tipo de aprendizes ou temos ainda a imagem de alunos ideais em mente, tão fora da realidade que encontramos hoje em qualquer sistema de ensino?
gostaria da interação dos colegas para saber sobre suas opniões e atitudes a respeito...

P'rá que pressa se o tempo não acaba...

A Arte não tem semáforos para limitar as (cri)ações. Paradas para reflexões, contextualizações, (con)vivências e relações sensoriais...
Ah, lembrei de uma frase que (se o tempo não me fez confundir) estava inserida em uma piada que falava sobre um matuto mineiro que pescava junto ao açude por muito e muito tempo e que ao ser cobrado por isso disse:
"- uai, p'rá que pressa, se o tempo não acaba?"

Que dimensão tem o tempo?
"... correndo para pegar nosso lugar no futuro..." Que lugar? O que sabemos sobre o tempo imediatamente após o agora?
E o tempo da Arte, como se reflete?
No ócio, ele está em "pause" ? Mas não é um espaço/tempo criativo?
Na História da Arte dividido em tempos/espaços sociais refletidos nos tempos/espaços sociais do olhar de cada artista?
Nos espaços escolares os tempos/espaços para ultrapassar as fronteiras tem a dimensão das relações de poder das instituições ou o tempo de quem conduz as salas de aula?
O sujeito que corre atrás do futuro tem tempo para apreciar o aqui e o agora que em segundos vira passado e não volta mais?
Que dimensão tem o tempo? E o espaço? Sem atribuição de significado para todos, funciona?
Dezessete anos podem estar contidos no tempo mínimo de um vídeo?

Dá um tempo?
o espaço pedagógico regular acabou... mas como o "tempo não acaba"... eu volto logo mais com o vídeo!

oo:28 infelizmente meu tempo/espaço de "vida útil" acabou... a tecnologia venceu o 1º round.

Como fazer?

É imensa a interferênia do espaço para o teatro. Dentro da escola, é uma ferramenta a ser utilizado com os alunos, inclusive, como atrativo. Alunos que estão acostumados a uma forma convencional, arrastar as classes e cadeiras todos os dias em que a aula é de teatro, e mesmo os que dispõe de uma sala específica para a prática teatral acostumam-se a esta convenção; é aquela sala, daquele jeito, com tais regras... A ruptura destes espaços provoca nestes alunos o gosto da novidade, e o inesperado desperta consequentemente a atenção.
Me pergunto, o quanto essas atividades contribuem para o processo criativo dos alunos? Uma aula de teatro no pátio da escola, com referências completamente diferentes das habituais, onde o espaço não é mais limitado pelas paredes da sala, ele é convencionado a partir de um acordo de grupo, logo, a "inspiração" dentro do trabalho se transforma quando as cores comuns mudam, os sons se intensificam e até o chão muda a textura.
Na última aula, discutimos a questão das artes e a opinião de alguns de que "aula de artes/teatro é brincadeira". Analisando sob este aspecto, a ruptura do espaço convencional pode ser vista como mais uma "brincadeira" do que o próprio desafio. A diferença se dá na resposta dos alunos. Eles souberam aproveitar a proposta?
Ok. Não é só responsabilidade do aluno, O próprio professor deve fazer sua auto-avaliação. A proposta foi bem colocada? Os alunos estavam preparados?

Deixo aqui a reflexão.
Romper com estes espaços, sim. Acredito e vejo resultados. Mas não é fazer pelo fazer, há de se pensar e articular uma proposta fundamentada, bem como perceber a turma que se tem. Afinal...

Aula de teatro pode ser diversão, mas não é brincadeira.

Sobre como o tempo o espaço influenciaram na minha decisão.

Inspirada pelo ideal de que a educação é a única forma de "mudar o mundo", fui cursar Licenciatura em História.
No entanto, a perspectiva de passar minhas horas fechada com os alunos dentro de uma sala de aula, sendo obrigada a ensinar conteúdos tão distantes da realidade deles, me fez pensar que o curso talvez não fosse a melhor opção.
Mudei para o teatro.

xxx

Final de semana passado, conversando com um amigo que concluiu o curso de História e que está dando aulas na rede pública, fiquei sabendo que ele dava aulas no pátio, e que sua prática incluía espaço para a criatividade: "Depois trabahar o conteudo, pedi aos alunos que inventassem uma história que se passasse naquela época".

xxx

Quem sabe se uma disciplina como essa, que problematiza esse espaço-tempo escolar,não teria sido capaz de mudar o curso da minha história?

Pergunta sem resposta.

xxx

Quando entrei no Teatro, dizia que "agora sim" teria espaço para atividades multidisciplinares. Que "agora sim" os alunos estaria mais receptivos às minhas propostas. "Agora sim, agora sim". O teatro transformaria a todos, e seríamos todos felizes.

Pensamento, no mínimo, inocente.

xxx

Mas afinal, o que me fez acreditar que as coisas não podiam ser diferentes? Quem foi que disse que eu não poderia levar meus alunos para o pátio, para a cozinha, ou para qualquer outro lugar?
Sou levada a crer que a prática dos meu professores de História que tive na infância, modelaram minha forma de pensar a docência nessa área, e que por falta de provocação (ou mesmo por falta de paixão pelos conteúdos) não fui capaz de fazer esse confronto, assim como meu amigo fez.

Enfim.

Assim como a crença no potencial transformador da educação, creio que também a arte cumpre esse papel pois problematiza e da espaço para novos olhares.
Amo meu curso, e cada vez mais tenho a certeza de que fiz a melhor escolha.

Tempos e Espaços e a Química

As ciências, ao contrário da Filosofia e da Matemática que partem da observação de que todos temos acesso, têm como particularidade buscar nas experiênicas especiais sua principal fonte de descobertas. Por exemplo, Newton criou sua teoria da gravitação uviversal a partir dos dados de que dispunha sobre as órbitas dos planetas; a descoberta do vidro se deu pela observação de que a mistura de determindados materiais resultava num composto com propriedades novas.

Para aproximar os alunos dos conteúdos que lhes são transmitidos, é preciso que eles tenham acesso a, ao menos, algumas dessa observações especiais. Se o professor ficar restrito à sala de alua, não poderá atingir tal objetivo. Por isso, se faz necessário o trabalho não apenas no laboratório, mas em ambientes que auxiliem na compreensão e na contrução do conhecimento científico.

Na Química, há relação íntima entre os conteúdos estudados: como regra, os conteúdos do segundo ano do Esnino Médio dependem dos do primeiro. Isso permite que o professor, a partir de um mesmo experimento ou da abordagem de uma teoria, consiga expor a relação entre estudos temporalmente distantes, e mostrar que as teorias complexas podem ser decompostas naquelas mais fundamentais de que contituídas, aquelas que o aluno já tem conhecimento.

7 de julho de 1966

Contemplo a sós o mar
e penso...
Vejo as ondas em agitado movimento...
São montanhas de moléculas,
cada uma indiferente às outras...
triliões as separam
formam, porém, em uníssono a branca espuma.

Idades primevas sucessivas...
'inda as ondas não eram por humanos olhos visíveis
ano após ano, tão estrondosamente
como agora, batiam nas praias.
Para quem, para quê?...
num planeta ainda sem vida,
um espectáculo sem espectadores.

Jamais em repouso...
torturado era o mar pela energia
prodigiosa do Sol...
desperdiçada sem trégua, derramada no espaço.
Uma migalha apenas faz bramir o mar.

Na profundidade dos oceanos, as moléculas
repetiam-se em padrões codificados
e repetindo-se, repetindo-se sem fim,
moléculas mais complexas formaram.
Novas e outras iguais a si...
E uma dança original iniciaram.

Crescendo em tamanho, escolheram a via da
complexidade...
Eis, por fim, a vida, multidões de átomos,
ADN, proteínas...
Sempre, sempre embalando-se em estrutura complicada.

Saídos já do berço-mar, agora
terrestres...
átomos que ponderam,
matéria observadora.

À beira-mar...
um Eu...
Pergunta e pergunta-se:
um universo de átomos...
um átomo no universo.

Richard P. Feynman, Science and Ideas, A. B. Arons, ed., Prentice-Hall, 1964, p.5


>>> para pensar a Química no espaço tempo, ou a história/percurso/evolução(?) de um átomo...
Trabalho com uma turma de Educação Infantil no município de Canoas e ao participar dessa disciplina penso em buscar outros espaços e explorar os que já tenho para desenvolver o trabalho junto a minha turma para que a nossa aprendizagem seja mais rica e agradável. Em relação ao curso de Letras busco, também associar o aprendizado e as descobertas durante o semestre para enriquecer minha prática. Acho que o ensino de línguas pode ser trabalhado usando muitos recursos como as artes, a informática etc.
Ainda não tinha participado de um blog! Legal essa experiência!

Aula de teatro??? Mas que bagunça é essa?

Desde que eu tenho sete anos de idade me mandam sentar, reproduzir e calar. Desde aquele tempo distante em que eu tinha a ilusão de que tudo é muito interessante e a minha energia era tanta que chegava a respingar dos poros, tentam me disciplinar (vai ver que os respingos sujavam a roupa do professor!). Há anos me dizem que o certo, bom, correto e lindo é o espaço quadrangular com classes quadrangulares, dispostas em uma grade quadrangular, onde o conhecimento é disposto numa superfície quadrangular por um professor quadrangular para alunos cujas mentes devem ser, de preferência, quadrangulares. Nunca me pediram pra olhar para os lados, muito antes pelo contrário. Por que olharia? A informação está à frente, a dispersão aos lados, os perdedores atrás. Tudo era muito simples e eu já tinha até me acostumado a achar tudo isso muito normal...

Mas agora que eu estava bem acomodadinho me aparece este professor de teatro dizendo pra eu arrastar as classes para as paredes, desconfigurando este espaço quadrangular que sempre foi minha referência, pedindo que paremos de agir “cada um no seu quadrado”, querendo que nos toquemos, que haja interação, expressão, criatividade... Que diabo é isso? Eu tinha entendido que quem criava era o professor (se muito!) que expressar alguma coisa era subverter a tal da ordem, e que contato físico tinha que ser no recreio. Eu tinha entendido que isso de ser feliz não tinha nada a ver com colégio, que colégio era pra aprender, e que aprender não tem nada que ver com prazer. Aliás, foi assim mesmo que meu pai e minha mãe me ensinaram: tem o trabalho, que é sério, e o resto do tempo que a gente até pode usar com coisas supérfluas, tipo, ser feliz. Estudar não era pra ser meio que nem trabalhar?

Palhaçada... depois querem que eu entenda alguma coisa. Não me entenda mal, professora, a aula é bem legal, e eu até gosto da senhora. Até parece que na sua aula eu acordo de um cotidiano que nem percebe que eu existo. Até parece que a sala de aula vira outra sala de aula, presente, viva, cheia de cantinhos e cores que eu não sabia que existiam. E eu percebo que tenho até... colegas! E não é só isso... por esquisito que pareça, eu me sinto desafiado na sua aula de teatro, parece que meu corpo, quando se mexe, pensa melhor, ou coisa assim... sei que meu corpo e minha cabeça parecem se entender melhor nessa aula (andava com uma dor nas costas daquela cadeira dura...). Me sinto balançado, sacudido, e nem é chato... ah, não, mas peraí... tem coisa errada. Deve ser chato sim. Porque é aula. E vale nota. Pior, se eu tô aprendendo alguma coisa mesmo (eu disse isso?), então TEM que ser um porre. Desculpa, ‘sôra, vou me sentar e me fechar. Não era essa a expectativa? A sua, a dos meus pais, a do mercado de trabalho? Ah, não... o mercado queria que eu fosse criativo, autônomo, que me relacionasse bem...

Confuso!

Criar meios!



Dentro de artes visuais sempre vão existir infinitas possibilidades de brincar (ou falar mais sério) com tudo que vemos, vivemos, reproduzimos e traduzimos para a construção pessoal de cada criatura. A partir disso, acredito que o meu papel, dentro da proposta da disciplina, vai ser tirar do papel as idéias rotineiras de uma aula de artes e criar um lugar cheio de possibilidades, ou possibilidades cheias de lugares!

“O interior e o exterior são inseparáveis,
eu estou todo fora e o mundo está dentro de mim.”
Merleau-Ponty

conflitos


durante a última aula me questionei sobre alguns temas; e quero compartilhar a minha reflexão com vocês.

gosto de mudar, de lugares novos, novas oportunidades. adorei a idéia do blog!

desejos
desejos são feitos para buscar um objetivo. enquanto desejamos estamos correndo atrás, porém sem desejo nada faz diferença. o ser humano necessita desejar, necessita ser desejado. o professor deseja? claro que sim. talvez nem saiba o que, mas quando entra na sala de aula acaba percebendo claramente que seu desejo é que sua aula seja aceita pelo grupo de alunos. para que seja aceito deve falar de coisas que os que estão na sua frente desejariam conhecer. raramente acerta! e por este motivo acaba desejando que os alunos saibam apenas repetir. na visão do professor nada pode ser maior em importância que o assunto por ele escolhido. e é nesse ponto que aparecem os desgostos. tão importante quanto os desejos, os desgostos mostram que o professor deve repensar sua atividade.

observando
não há nada mais fácil que observar! se todas as pessoas observassem mais e falassem menos, teríamos uma grande probabilidade de destruir o planeta de uma forma menos eficaz que as de hoje em dia. é só olhar ao nosso redor. veremos o estrago irreversível que estamos fazendo.

relações de poder
nada mais normal que conversar. o pai conversa com o filho, o vizinho com outro vizinho, o homem na fila com o seguinte, a pessoa que trabalha com a que esta sendo atendida. na sala de aula o professor em diversas situações conversa com o aluno. conversar é natural, porém muito antes de conversar está a relação de poder. quando alguém impõe sua realidade está naturalmente mostrando que detêm o poder. e não há como dissociar a conversa dessa relação estabelecida. na sala de aula podemos privilegiar a aula dialogada, que na maioria das vezes é um monólogo, ou a aula é 'debatida' que estimula a discussão e provoca os alunos. porém em nenhuma delas o aluno é ouvido como deveria. isso ocorre pelo simples fato de que o professor não pode negociar saberes com o aluno. sua posição de poder está de tal forma estabelecida, que nunca será questionado por um aluno. será?

Há quanto tempo...

Há muitos anos atrás, Paulinho da Viola compôs a música "Sinal fechado". Pois é, há quanto tempo. Mas o tempo e a pressa continuam aí nos instigando a correr sempre "contra o tempo" (ou a favor dele?). Como vivemos tempos e espaços na correria do dia a dia? Estamos todos "correndo para pegar nosso lugar no futuro"? Que tempos e espaços (presentes e futuros) podemos pensar para os espaços educacionais? Este é um dos desafios e um dos convites a reflexão da disciplina.

Hoje, fico com vocês em um tempo e espaço virtual. Aguardo os comentários e os novos posts. Boa aula!




Olá! Como vai?


– Eu vou indo. E você, tudo bem?

– Tudo bem! Eu vou indo, correndo pegar meu lugar no futuro... E

você?

– Tudo bem! Eu vou indo, em busca de um sono tranqüilo...

Quem sabe?

– Quanto tempo!

– Pois é, quanto tempo!

– Me perdoe a pressa - é a alma dos nossos negócios!

– Qual, não tem de quê! Eu também só ando a cem!

– Quando é que você telefona? Precisamos nos ver por aí!

– Pra semana, prometo, talvez nos vejamos...Quem sabe?

– Quanto tempo!

– Pois é...quanto tempo!

– Tanta coisa que eu tinha a dizer, mas eu sumi na poeira das

ruas...

– Eu também tenho algo a dizer, mas me foge à lembrança!

– Por favor, telefone - Eu preciso beber alguma coisa,

rapidamente...

– Pra semana...

– O sinal...

– Eu procuro você...

– Vai abrir, vai abrir...

– Eu prometo, não esqueço, não esqueço...

– Por favor, não esqueça, não esqueça...

– Adeus!

– Adeus!

– Adeus!

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O conflito instaurado entre a sociedade (onde se incluem as famílias, as mídias, etc), o sistema educacional e as políticas públicas para educação está criando uma nova geração de docentes com pouca bagagem cultural (cultura literalmente como um todo) e, consequentemente, com imensas dificuldades de gerir o tempo /espaço dentro e fora das salas de aula. Por outro lado, docentes experientes com muito conhecimento, bagagem intelectual impecável, porém com pouca ou nenhuma habilidade para lidar com o choque de valores entre as gerações.
Os discentes, por sua vez, cada vez mais chegam às escolas com lacunas de orientações e valores morais, éticos, de respeito a si, ao outro e ao mundo em que habitam. Preceitos esses, básicos e que deveriam ser aprendidos ainda na infância com os pais e familiares, serem refoçados pela escola e que os ajudaria a desenvolver as relações interpessoais em qualquer âmbito social em que desejassem ser incluídos.
Penso que as narrativas vão surgindo ao longo do tempo na medida em que a frustração de ambos cresce na relação direta entre a intensidade dos encontros e desencontros das relações sociais, intelectuais e interpessoais e o ensino-aprendizagem que não deslancha na medida e condições idealizadas por todos. As narrativas são os meios que tentam justificar os fins. Colocam véus que encobrem a descrença e a desmotivação de todos.
Mudar essas lentes com que se vê a Educação vai muito além de gerir os tempos e espaços escolares e ultrapassar as fronteiras da escola. Exige de cada um de nós, para começar, o que Paulo Freire já preconizava:
"Ensinar exige a convicção de que a mudança é possível."

Educação no teatro : tempos e espaços sem fronteiras



O ensino no teatro nos permite atravessar fronteiras de tempo e espaço sem que as pessoas saiam de um determinado ambiente. Ele trabalha diretamente com estes fatores.
Ao determinarmos uma ação, temos o desprendimento contínuo do tempo. Com o uso necessário da repetição de ações, as pessoas se predispõem a fazer as mesmas coisas em tempos diferentes em busca da perfeição. E da mesma forma eles são usados para uma representação em sua totalidade.
Mas existem outras relações com o tempo e o espaço.
A encenação de uma peça representa ficticiamente em tempo real algo que ou acontece, ou aconteceu ou que acontecerá. É possível usar das ações do presente para rebuscar o passado.

Em uma área em que a imaginação é sempre bem-vinda pode-se usar a experiência e os fatos do passado para criações novas. São estas novas: as releituras, as reinvenções. Novas caras e velhas opiniões e vice-versa.
A autonomia __ com responsabilidade pedagógica e social, é claro__ que o teatro traz aos professores permite o desenvolvimento criativo e o intelecto de aperfeiçoamento ; pois com ele tratamos a realidade e a ficção sem alterá-las de imediato. Ensinamos e aprendemos sem limitações de temas, tempos e espaços. Criamos um vínculo com expectador; damos dimensões de tempos distantes através do presente.

Esta a arte não precisa obrigatoriamente de um teto, de portas, de assentos para acontecer e parece-me fantástico o uso dessa abrangência em prol do ensino e da cultura.

A inconformidade é um ótimo fio para se tecer a educação.

Existem muitos conceitos de que a educação tenha mudado, de que o tempo tenha se encarregado disto. A meu ver modificaram-se os meios, as formas e os espaços.
A idéia de que os tempos mudaram e que a escola se engrandeceu só me é válida em dimensões. Todo aparato e problemas nos sistemas de ensino que temos são provenientes de um posicionamento antigo que simplesmente adaptou- se as demandas e aos discursos sócio-econômicos . As escolas são citadas como meios inclusivos __São realmente? __Lugares onde normalmente os bem-sucedidos ou seguidores fiéis de normas (nem um pouco permissivas) destacam-se e como conseqüência uma massa de alunos inconformada é desmotivada por não honrar uma cartilha. Estes não me parecem meios muito inclusivos.
No artigo de Hernández (Fernando), temos idéia das proporções de que métodos ou conceitos podem permanecer durante o tempo. O autor através de uma organizada linha de raciocínio mostra um espelho da paisagem que nos é tão cotidiana. Se já sabemos o que se passa e quais são seus resultados podemos abranger esse objeto de estudo o qual eu chamaria de escola retrógada. Um meio que enfatiza que todos têm que agir da mesma forma dos mesmos modos, ocupando os mesmos assentos, as mesmas posturas e compartilhando as mesmas exigências de talentos é um meio que pressiona, que diminui, que equipara e que apreende as capacidades de criação e desenvolvimento intelectual.
Afinal a inconformidade é um ótimo fio para se tecer a educação. Ao ler “O problema está na narrativa e na resistência em mudá-la.” sinto uma motivação enorme de transformar e quem sabe ver a escola como um espaço de aproveitamento de tempo de saberes e não como um de depósito de informações e de posicionamentos ( fechados para discussão).
O autor me mostrou que não é muito difícil enxergar o que se passa e dar ênfase ao que deve ser explorado. Será que partem daí novas sugestões para constituir um ensino libertador e abrangente?

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Olá consciencias em expansão!

Achei válido este evento, mesmo para quem não vem das Artes. De repente, nem todos sabem do mesmo:

"Educação infantil e arte serão discutidas no Museu (28/08/2009)

O Museu da Universidade e a Faculdade de Educação (FACED) promovem no próximo dia 31, segunda-feira, às 9h30min, a roda de conversa “Sobre ensino de arte na contemporaneidade , mediação, mídias, pedagogias visuais e muitos outros assuntos sobre infâncias e suas linguagens expressivas”. A atividade busca discutir os modos de se fazer o ensino de arte na contemporaneidade, bem como tratar de como se constituem as mídias e as pedagogias visuais que atravessam a arte-educação das infâncias. Participam da roda de conversa Miriam Celeste Martins, da Universidade de São Paulo (USP), Luciana Hahn Brum, do Colégio de Aplicação, Vera Parisotto, da EMEI Tio Barnabé, Alessandra Ilha, do Centro de Desenvolvimento da Expressão, de Porto Alegre, e Susana Rangel Vieira da Cunha, da FACED. A atividade será no Mezanino do Museu Universitário (Av. Osvaldo Aranha, 277 – Campus Centro)."

domingo, 23 de agosto de 2009

o tempo e o espaço de conhecer o ambiente BLOG

Há muito nutria o desejo de conhecer e aprender a utilizar o tão falado BLOG, entendendo que é uma importante ferramenta de trabalho e aprendizagens. Curiosamente sempre tive o desejo de imgressar nessa disciplina. Não sem motivo parace que o destino escolheu unir meus dopis desejos num só para realiza-los da melhor forma, pelo menos penso que é isso que vai acontecer...!
meus anjos trabalhando...
Por uma colisão entre tempo/espaço que não permitiram que eu derrubasse as fronteiras dos meus compromissos profissionais e o horário da disciplina (já consertadas no ajuste) não pude comparecer ao primeiro encontro.

Mas estou atenta ao tempo virtual e adorei receber este convite, pois comecei a conhecer o tempo em que a professora contextualiza conteúdos/alunos.

É uma praxis que inclui todos os tempos e todos os espaços. Não há como não participar.

Obrigada.


Maria Salete M M Pinto

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Pensando sobre tempos, espaços e fronteiras


Primeiro quero agradecer a professora Luciana Loponte por me aceitar como sua estagiária. É sempre muito proveitoso passar algum tempo no mesmo espaço contigo, seja pelas questões que provocas ou seja pelo conforto em outros momentos. Quando penso em tempo, espaço e em atravessar fronteiras, é inevitável pensar em teatro. Grotowski, um diretor polonês, se propôs a tirar tudo do teatro que não fosse realmente fundamental, a fim de repensar o espetáculo. Assim como ele, outros diretores e atores se dedicaram e se dedicam a pensar o mínimo que precisa para que o teatro aconteça. Um corpo no tempo e no espaço. Seria isso? O tempo pode ser o presente da representação mas também é o tempo em que a ação teatral acontece, o tempo da história que é contada (quando há história). O espaço é o espaço real onde a apresentação acontece e o espaço real ficcional.
É dificil dizer onde está o teatro numa representação. Peter Brook, diz que teatro é aquilo que acontece entre o ator e o espectador e ai, posso pensar: num determinado tempo e espaço. Então o teatro pode romper a fronteira dos corpos, de tempos e espaços e um encontro acontece.
Quando penso numa aula, penso também no mínimo que é necessário para que ela aconteça, e pensar no mínimo não quer dizer que ela seja ruim, pobreza de idéias. Talvez exija mais de quem a lidera por não dispor de recursos tecnológicos. Pensar uma aula como um evento teatral para mim, não é pensa-la como espetáculo, no sentido de mega-eventos e sim, desse encontro entre ator e platéia de que fala Brook. E um encontro nem sempre é harmonioso, isento de conflitos, mas pressupõe o desejo de ambas as partes de se encontrarem e se afetarem. E quando algo nos afeta nos altera de alguma maneira (é o que dizem). Ao pensar o professor como ator (e isso outros já fizeram) me inspiro nesse ator que deseja não enganar o público ou saciar seu ego com os aplausos no final, mas ter um encontro sincero. Um professor curioso, inquieto com seus saberes, entusiasmado com o mundo pode proporcionar bons encontros ? Pode ensinar mais que o conteúdo?
Não sei...aproveito o espaço para atravessar fronteiras livremente, mesmo que com breves pinceladas, burlando algumas convenções acadêmicas. Enfim, pensar em voz alta, talvez alguém além de mim se afete com isso, talvez não.
Bom semestre para todos nós.